Crítica: a segunda temporada de Narcos

 
Por Luísa Gadelha, DCM -

O realismo mágico imortalizado na obra do escritor colombiano Gabriel García Márquez se caracteriza pela presença de elementos fantásticos dentro de uma narrativa realista e cotidiana. Não é estranho que a escola literária tenha surgido na América latina: episódios quase surreais ocorreram por estas terras.

A história de Pablo Escobar é um deles. Narcotraficante da cidade de Medellín, Colômbia, Escobar tornou-se um dos homens mais ricos do mundo (o sétimo, segundo a revista Forbes). Entre seus exageros espalhafatosos estão a criação de um jardim zoológico privado para a família, a explosão de um avião, a morte de três candidatos à presidência da Colômbia e a construção de sua própria prisão, a luxuosa La Catedral.

A série Narcos, baseada na trajetória de Escobar e na caçada policial por ele, produzida pela Netflix, teve há pouco sua segunda temporada liberada. Produzida por José Padilha e protagonizada por Wagner Moura, a segunda temporada mantém os dois núcleos principais da primeira, a partir da fuga de Escobar de La Catedral seguida de sua inevitável decadência, não sem passar por muitas reviravoltas.

De um lado, há Pablo, sua família, sicários e a rivalidade com outros traficantes – agora, sobretudo, com o Cartel de Cali e um grupo justiceiro chamado Los Pepes (abreviação de Perseguidos por Pablo Escobar), liderado pelos irmãos Castaño; de outro, os agentes norteamericanos Peña e Murphy que, aliados à polícia colombiana, perseguem Escobar.

A produção da segunda temporada de Narcos quase se iguala a House of Cards, também da Netflix, no que concerne a intrigas, traições e jogos políticos.

Mocinhos e bandidos se misturam e se confundem a todo momento, numa dança em que todos podem mudar de lado. Para além disso, abundam cenas de ação e violência desmedida, contrabalanceadas com a trilha sonora ao ritmo de cumbia, trazendo mais leveza à série.

Apesar de baseada em fatos reais, alguns personagens são fictícios, como o obstinado e sanguinário Coronel Carrillo. Outros, reais, bastante humanizados, como o motorista Limón, que se torna um dos mais fiéis seguidores de Escobar, apesar de seus conflitos internos.

Há um certo esforço em mostrar Pablo Escobar como um homem afetuoso: numerosas cenas do Escobar pai, brincando e cuidando dos filhos, e amoroso com a esposa. Desnecessário elogiar a atuação impecável de Wagner Moura, que foi indicado ao Globo de Ouro como melhor ator de série dramática.

Um ponto fraco da série é a escassa presença feminina. Há mulheres fortes, como Tata, esposa de Escobar, Judy Moncada, uma traficante de renome que deseja se vingar de Pablo e a jornalista Valeria Velez, mas a série parece fundamentalmente centrada no papel dos homens.

Era de esperar que a série acabasse após a morte do famoso traficante, porém a Netflix já anunciou que a terceira e quarta temporadas estão confirmadas, pois a guerra à cocaína continua, dessa vez com o cartel de Cali em ação. Em teaser divulgado pela Netflix, o lema “a carreira tem que continuar”.

A lenda em torno da figura mítica de Escobar tem suscitado outras produções, como o filme Conexão Escobar, com o ator Bryan Cranston (o Walter White de Breaking Bad) e a publicação do livro Pablo Escobar, meu pai – as histórias que não deveríamos saber, do seu filho Juan Pablo Escobar.
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